“Uberização” dos bancos já exterminou mais de 50 mil vagas em cinco anos

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Somente Escriturários e Caixas perderam 20 mil postos de trabalho, entre 2003 e 2015

O estudo do Dieese “Reestruturação Produtiva e o Emprego nos Bancos. O Novo Modelo Bancário” foi apresentado dentro do Painel Futuro do Emprego, durante o Congresso Extraordinário da Contraf-CUT, nesta quinta-feira (9), em São Paulo, e que tem como tema a disputa do futuro. Apresentada pela economista Vivian Machado, a pesquisa revela que as operações via internet banking e mobile banking já representavam, em 2015, 54% das transações bancárias, já a operações nas agências bancárias caíram para 8%.

O impacto na redução dos postos de trabalho também tem grandes números. Entre fevereiro de 2012 e janeiro de 2017, foram eliminados 48.757 postos de trabalho no bancos, exceto a Caixa Econômica Federal, que sozinha fechou 4.907 empregos, somente entre março de 2015 e janeiro de 2017.

Entre as ocupações que perderam espaço na reestruturação, os escriturários são os mais afetados, com 15.654 postos de trabalho fechados, seguidos pelo Caixa de banco, com redução de 5.148 vagas.

“A categoria bancária é muito impactada pelas novas tecnologias. O trabalho se transforma ao longo do tempo e neste momento há uma mudança muito radial em todo o mundo. Está surgindo o proletariado precário, vai existir uma grande massa de trabalhadores que vai ficar com os piores salários e os priores trabalhos. Além da tecnologia, estamos vivendo uma crise econômica e um ataque brutal de retirada de direitos e previdência que complica ainda mais a situação, “ analisou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, durante o painel.

A economista Vivian Machado também apresentou o quadro com as transações bancárias em 2016. No Itaú e no Bradesco, as oprações por canais virtuais já são mais de 70%.

“ O cliente paga o serviço para o banco e ainda tem que fazer tudo sozinho, pelo celular, pelo computador. Segundo o Banco Central, a lei 12.865, de 2013, tinha o objetivo de regulamentar os meios de pagamentos eletrônicos no país, mas para os bancos significou mais lucro e uma redução expressiva de custos”, avalia Vivian.

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Em pouco mais de um ano, já são quatro bancos 100% digitais operando no Brasil. São eles: Banco Original, Banco Intermedium, Banco Neon (sem tarifa de manutenção) e Banco Next (deve iniciar as atividades em breve). Apenas o Itaú, entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016 foram fechadas 288 agências físicas e criadas 104 agências digitais.

O estudo do Dieese demostra que a jornada média de trabalho da categoria bancária subiu 6,7% em cinco ocupações, entre 2003 e 2015, chegando a 37 horas semanais. Por outro lado, o tempo no emprego diminuiu de 108 para 90 meses, com uma redução de 16,4% no período, como efeito da maior rotatividade no setor.

O novo modelo bancário também aumenta a pressão sobre o trabalho bancário, o trabalhador é monitorado o tempo todo, seja por e-mails, uso da internet, softwares de controle de tarefas, entre outras ferramentas.

“Percebemos que o número de ocupações de gerentes teve aumento. Um reflexo direto do uso das novas tecnologias. O banco quer que o gerente trabalhe em ritmo mais acelerado, que leva a um maior adoecimento da categoria. Para não perder o cliente e o emprego, o funcionário trabalha o tempo todo, até fora do horário de expediente”, reforça a economista.

Vivian conclui, “entre os desafios do movimento sindical, diante da nova realidade de relações do trabalho, impactada pela tecnologia, está identificar meios para fortalecer os sindicatos na defesa do emprego bancário e do ramo como um todo”.

Fonte: Contraf-CUT