Funcionários de bancos privados discutem conjuntura, demissões e demandas especificas

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Reunidos no auditório do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro no último dia 19, os bancários do BMB, Bradesco, Itaú e Santander discutiram os assuntos que serão encaminhados aos encontros nacionais que serão realizados em junho.

participaram do Encontro os Diretores: Ana Mello do Bradesco, Adriana do Santander e o companheiro Armando Abrantes do banco Itaú representando o Sindicato dos Bancários de Teresópolis.
A mesa de abertura do encontro foi composta pela presidenta recém-reeleita do sindicato anfitrião, Adriana Nalesso, pelo recém-eleito vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, pelo presidente da Fetraf-RJ/ES, Nilton Damião Esperança, o secretário de Bancos Privados da Fetraf-RJ/ES, Euclides Neto e a secretária de Formação da CUT-RJ, Renata Soeiro.

Durante a abertura do encontro foi feito um minuto de silêncio em memória do economista Paul Singer, do primeiro presidente da Fetraf-RJ/ES, Luiz Viegas, e ao motorista Anderson Gomes. A proposta de homenagear a vereadora Marielle Franco com silêncio foi substituída por uma salva de palmas, conforme a própria sempre preferiu.

Os representantes do BMB informam que não houve demissões no período na base estadual, exceto daqueles funcionários que aderiram ao PDV. Problemas relativos ao plano de saúde também não preocupam mais desde que o banco retornou ao plano antigo. Quanto à PLR, permanece a dificuldade dos empregados de saber o que esperar, já que o banco vem alegando que não apresenta lucro. Para os empregados do BMB é importante, entretanto, que continuem acontecendo encontros nacionais para discussão de questões específicas, apesar das dificuldades.

Os funcionários do Bradesco expressaram preocupação com notícia veiculada na imprensa de que o presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, teria anunciado o fechamento de 200 agências em todo o país ao longo do ano. Como se não bastassem as demissões que já estão preocupando o movimento sindical, há receio de que as dispensas aumentem com o encerramento de unidades. Mas os problemas já em andamento também ocuparam boa parte do encontro. Uma das queixas é o uso do celular pessoal do funcionário para funcionamento do token que dá acesso ao sistema. Outro problema é a cobrança por ligações para que o funcionário atenda à chamada “conformidade”. Além do assédio das cobranças, os funcionários muitas vezes encontram dificuldades para cumprir sua meta de ligações em função do cadastro desatualizado. As transferências de local de trabalho têm sido feitas de forma abrupta, com notificação na véspera da mudança, o que provoca transtornos aos empregados. Há também muitas questões relativas ao INSS, como o cancelamento das aposentadorias por invalidez, a inclusão dos afastados em programas de readaptação antes da realização da perícia e as dificuldades de reconhecimento de acidente de trabalho, com concessão errônea do benefício de auxílio doença. Ficou acertado que os representantes da base enviarão ao Encontro Nacional uma proposta de calendário de lutas para protestar contra estas e outras situações que vêm criando problemas para os empregados.

As discussões do Itaú passaram por temas variados. As cláusulas 65 e 29 da CCT, que tratam sobre os empregados afastados, receberam muita atenção. Mas a realocação dos empregados oriundos do Citi tomaram boa parte do encontro, já que há uma concentração de vagas em São Paulo. A preocupação maior é com os 80 funcionários do call center CitiFone, que fica em Salvador, cidade que não tem agências suficientes para absorver este excedente.

As demissões no período foram pontuais e o saldo de postos de trabalho é positivo, mas a notícia não é completamente boa. Os salários dos novos contratados são bem menores que os dos antigos empregados e a distribuição das vagas também não é satisfatória. Ficou acertado que será encaminhado ao Dieese o pedido de um estudo para levantar a concentração de bancários por agência outro levantamento será do número de licenciados, pra verificar se o banco está adoecendo os empregados. A Fundação Itaú também esteve em pauta, com a reivindicação de que todos os empregados do grupo que não tenham fundo de seu banco de origem tenham acesso ao fundo de pensão, inclusive os novos contratados, com o mesmo padrão para todo o corpo funcional.

Uma das principais preocupações dos funcionários do Santander é a decisão tomada unilateralmente pelo banco de fazer as homologações das demissões nas agências e não nos sindicatos, como era obrigatório antes da mudança na legislação trabalhista. “Estamos perdendo o controle das demissões”, alerta Paulo Garcez, representante da Fetraf-RJ/ES na COE. Com as homologações sendo feitas sem a participação dos sindicatos, os cálculos não são conferidos e não podem ser feitas ressalvas que eram usadas a favor do empregado dispensado em caso de abertura de processo trabalhista. “Precisamos discutir com os sindicatos as ações que serão tomadas para que os sindicatos voltem a participar das homologações”, adianta o dirigente. Outra questão apontada foi a insistência do banco em enviar mensagens para grupos de WhatsApp mesmo em sábados, domingos e feriados. As demais propostas, com vistas à construção do Acordo Aditivo do Banco, serão organizadas após reunião específica para este fim, que aconteceu no último dia 25.

Nenhum direito a menos

Em mais de um grupo de trabalho surgiu a indignação com a medida adotada pelo INSS de suspender as aposentadorias por invalidez. Os trabalhadores são sumariamente demitidos, muitas vezes enfrentando desemprego após o cancelamento. Para todos os presentes ficou claro que se trata de mais um ataque aos direitos previdenciários dos trabalhadores. Uma decisão comum foi encaminhar a proposta de consultar a assessoria jurídica da Contraf-CUT para elaborar um plano de ação nacional para enfrentar o problema.

Para além das questões específicas, ficou evidente a preocupação dos bancários com a reforma trabalhista do governo ilegítimo. “Neste momento é importante salientar que a categoria bancária precisa estar unida e ciente do seu papel na luta para manter a nossa CCT e ampliar as conquistas. O movimento tem a importante tarefa de lutar pela retomada da democracia”, avaliou Euclides Neto, diretor para Bancos Privados da Fetraf-RJ/ES e coordenador dos encontros. Cerca de 150 bancários e bancárias participaram do encontro, vindo das bases de Angra dos Reis, Baixada Fluminense, Campos , Nova Friburgo, Niterói, Petrópolis, Rio de Janeiro, Sul Fluminense, Teresópolis e Três Rios.

Fonte: Fetraf-RJ/ES