Caixa lucra r$ 12,5 bi sacrificando empregados e clientes

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A Caixa Econômica Federal divulgou no último dia 27seu balanço de 2017, que demonstra um lucro líquido de R$ 12,5 bilhões, o maior de toda a história da empresa. Foi um crescimento de 202,6% em comparação com o resultado de 2016. Em dezembro, o banco possuía R$ 2,2 trilhões em ativos administrados, avanço de 1,9% em 12 meses, com destaque para os ativos próprios, que totalizaram R$ 1,3 trilhão.

A carteira de crédito alcançou saldo de R$ 706,3 bilhões em dezembro, com participação de mercado de 22,4%. Em saneamento e infraestrutura, as operações totalizaram R$ 82,7 bilhões. Já a carteira imobiliária chegou a R$ 431,7 bilhões, aumento de 6,3% em 12 meses, o que manteve o banco na liderança do setor, com 69% de participação. Mas, com os juros do crédito imobiliário mais altos do mercado, a Caixa vai diminuindo sua fatia neste segmento.

Em 2017, foram pagos na Caixa cerca de 158,4 milhões de benefícios sociais, correspondendo a R$ 28,7 bilhões. Somente o Bolsa Família pagou R$ 27,8 bilhões. Em relação aos programas voltados ao trabalhador, o banco foi responsável por realizar 292,3 milhões de pagamentos, que totalizaram R$ 313,7 bilhões, como o Seguro-Desemprego, Abono Salarial e PIS. Também foram realizados 71,7 milhões de pagamentos de aposentadorias e pensões do INSS, que totalizaram R$ 94,7 bilhões.

Saúde Caixa

O lucro recorrente da Caixa em 2017 foi de R$ 8,6 bilhões. A diferença de quase R$ 4 bilhões para o lucro líquido, segundo o balanço divulgado pelo banco, veio em grande parte de uma reversão de provisões atuariais. Apesar da instituição ainda não ter explicado do que se trata, os acontecimentos mais recentes indicam que o recurso decorre da imposição do teto de gastos com o Saúde Caixa.

Os efeitos da alteração no custeio do plano de saúde ainda não foram sentidos pelos empregados, já que a CCT assinada em 2016 garante que as regras de custeio do Saúde Caixa fiquem inalteradas até o final de agosto. Mas o banco já projeta redução das despesas e inclui a diferença com provisão atuarial.

“No início do ano, a direção da Caixa fez uma alteração no estatuto que incluiu, sem qualquer negociação com os representantes dos trabalhadores, um limite no custeio do plano de saúde de 6,5% das folhas de pagamento e proventos. O modelo até então vigente do Saúde Caixa, no qual o banco era responsável por 70% do custo assistencial, foi resultado de muita luta dos empregados. Nossa mobilização será essencial para reverter as mudanças”, diz Jair Ferreira, coordenador da CEE/Caixa.

Menos bancários, mais lucro

Em 2017 a Caixa voltou a apresentar redução do quadro de pessoal. Em dezembro, eram 87.654 empregados, redução de mais de 7 mil em relação a 2016 e de cerca de 14 mil nos últimos três anos. No início de 2018 houve mais uma redução, com a realização de um novo PDE.

A diminuição no quadro de empregados foi um dos fatores que ajudaram o lucro da Caixa a subir. Também houve redução das unidades de atendimento: foram fechadas 18 agências, 55 lotéricas e 1.737 correspondentes Caixa Aqui. As despesas de pessoal aumentaram 7,4% em relação a 2016 sobretudo em razão do pagamento de verbas rescisórias dos funcionários que aderiram aos PDVs e PAAs. Mas a PLR foi maior, porque o número de pessoas que dividem o montante distribuído foi menor.

Já o número de clientes aumentou, chegando a quase 88 milhões. A Caixa compensou o aumento das despesas de pessoal com o crescimento das receitas com tarifas, que foi de 11,5%, cobrindo o gasto com empregados com uma folga de mais de R$ 1 bi. Com menos trabalhadores, menos locais de atendimento e mais clientes, o resultado é sobrecarga de trabalho e piora na qualidade dos serviços prestados.

Consequências

A Caixa tem sido uma das empresas públicas mais atacadas pela política neoliberal entreguista do governo federal. O banco vem sendo enxugado para ficar mais “vendável”, e quem paga por isto são os funcionários e a população. Com menos bancários, o atendimento piorou, a sobrecarga de trabalho cresceu e tanto clientes e usuários como os trabalhadores foram prejudicados.

Mesmo com lucro elevado, o risco de privatização ainda é real. A venda em fatias, de segmentos específicos, é uma estratégia que o governo já sinalizou que pode usar a qualquer momento. Já se falou em vender os segmentos de lotéricas, cartões e seguros e a transferência gestão do FGTS para um banco privado também tem sido discutida.

A PLR dos empregados veio mais elevada, mas isto não é, necessariamente, bom sinal. “Estes valores são resultado da redução drástica do número de empregados, da redução do número de unidades de atendimento, do aumento dos juros e da elevação das tarifas”, destaca Luiz Ricardo Maggi, secretário de Bancos Públicos da Fetraf-RJ/ES e representante da entidade na CEE/Caixa. “Com a adoção destas medidas, a empresa está cada vez mais atraente para possíveis compradores. Fica claro que o governo não desistiu de privatizar a Caixa”, alerta o sindicalista.

Com informações da Fenae e Apcef-SP