Banco do Brasil não precisa de reestruturação. Dia Nacional de Luta é dia 07/12

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Banco público federal é forte, de grande importância para o país, e com excelente saúde financeira

Sem respostas concretas do BB, a Contraf-CUT orienta Dia Nacional de Luta para dia 7
Reunião sobre processo de reestruturação e fechamento de agências aconteceu nesta quinta-feira (1º), em Brasília

São Paulo – A direção do Banco do Brasil anunciou no domingo 20 reestruturação que pretende fechar 402 agências e transformar outras 379 em postos de atendimento, com encerramento de 31 superintendências. A intenção é extinguir, ainda, 18 mil postos de trabalho por meio de um Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI). No infográfico abaixo, está claro que o banco não precisa passar pelo desomente anunciado.

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Redação Spbancarios
1º/12/2016

A Contraf-CUT, através da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB se reuniu com o Banco do Brasil, em Brasília, nesta quinta-feira (1º), em mais uma mesa de negociação sobre o processo de reestruturação que envolve fechamento de agências, cortes de cargos e funções, redução no quadro de funcionários e na jornada, e, ainda, um plano de aposentadoria com público alvo de 18 mil funcionários.

Os representantes dos funcionários reafirmaram ao banco que são contrários a esse processo de reestruturação por envolver cortes de mais de 9 mil postos de trabalho e vai provocar redução salarial de milhares de funcionários, caso estes não forem realocados. Ainda, o fechamento de mais de 400 agências e a transformação de 379 em posto de atendimento.

Os representantes dos trabalhadores também cobraram do banco respostas quanto a extensão do VCP – Verba de Caráter Pessoal – que tem como objetivo garantir a remuneração daqueles que perderão seus cargos ou tiveram suas agências extintas. Foi proposto ao banco que seja criado um VCP permanente, nos moldes da verba 226 do plano de funções.

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa, o VCP permanente vai de encontro com todas as falas do banco quanto a realocação das pessoas. “Se o banco tem tanta certeza que vai realocar todo mundo, que garanta que ninguém vai perder remuneração enquanto não for realocado”, explicou Wagner.

O banco não deu resposta quanto a extensão do VCP, alegando que o assunto ainda está sob análise, assim como o VCP para os Caixas efetivos e substitutos.

Para realocação dos funcionários, foi proposto ao banco que no TAO Especial criado com esta finalidade, seja adotado o critério de priorização e maior pontuação para a escolha dos funcionários na lateralidade. “Considerando que os funcionários já passaram por um processo de seleção anterior e as nomeações acontecerão na lateralidade, uma forma de garantir um critério justo é pela melhor pontuação, tanto para escolha de quem fica nos casos de redução de cargos na própria dependência, quanto nas recolocações”, analisou Wagner.

Também foi proposta que mesmo depois de entrar em VCP, os funcionários tenham a pontuação do cargo anterior preservada para as concorrências na lateralidade para cargos semelhantes.

O Banco do Brasil não forneceu a lista dos cargos e dotações cortadas em cada prefixo, alegando que o quadro não está fechado. O banco também não responde claramente o que vai acontecer com aqueles que não conseguirem realocação.

Ao mesmo tempo que não informa a planilha com os cargos cortados, o banco responde que a dotação dos postos de atendimento está no sistema.

Esta informação foi bastante criticada pelos sindicatos, remetendo ao vazamento de informações à imprensa antes de informar aos representantes dos trabalhadores.

Carlos de Souza, secretário-geral da Contraf-CUT, afirma que é uma falta de respeito do Banco do Brasil não apresentar os esclarecimentos e os números exigidos pelos representantes dos trabalhadores. “A incerteza criada pelo banco, não dando maiores esclarecimentos, só leva a um desespero maior. Os funcionários estão num processo de destruição psicológica, ampliando os casos de doenças. É uma tristeza coletiva, o trabalhador olha para lado e vê um amigo que perdeu parte do salário, local de trabalho, e pensa quando será a vez dele. Trabalhar neste cenário é muito ruim”, ressalta .

Os sindicatos consideram que quanto mais informação o banco fornecer vai facilitar o trabalho de realocação dos funcionários, evitando as situações de desespero que tem acontecido em várias regiões do país.

Banco descumpre palavra no caso da fusão de agências

A Comissão de Empresa cobrou do banco o cumprimento do que foi apresentado no início de 2016 quanto ao fechamento de agências no estado de São Paulo e Santa Catarina, devido a fusão de uma agência com outra. Naquela oportunidade o banco informou um cronograma e a forma como seriam tratados os funcionários, que seriam realocados numa agência já definida.

Contudo, neste processo de cortes agora apresentado, o banco incluiu aquelas agências na nova reestruturação, descumprimento o cronograma apresentado em reunião na DISAP com representantes dos sindicatos.

Situação de desespero dos funcionários é relatada

Os sindicatos relataram ao BB a situação de desespero em muitos depoimentos de funcionários em todos os cantos do país. Mães e pais de famílias que perderão seus cargos não veem perspectiva de realocação, pois a extinção de muitos cargos como os de assistentes, gerentes de negócios e gerentes de serviço não terão vagas abertas nas mesmas localidades.

Para Wagner Nascimento, os funcionários deverão continuar a mobilização em todo o país para que tenhamos resposta efetiva de proteção às pessoas que perderam seus cargos e funções. “O número de funcionários que sairão no plano de aposentadoria não está batendo com os cortes apresentados e os processos são distintos, uma vez que os cortes já estão dados. Mais uma vez, insistimos para que o banco garanta a remuneração das pessoas até que sejam realocadas”.

A participação dos funcionários nas atividades de paralisação do último dia 29 e o Dia de Preto – Black Friday do BB no dia 25 mostrou que é grande a indignação dos funcionários.

“Temos que dar uma resposta forte ao Banco do Brasil e ao governo golpista, intensificando as moblizações, como os protestos do último dia 29. Os funcionários deram o recado, uma grande demonstração de unidade. Mas precisamos ampliar, para que mais companheiros venham somar forças, para banco perceber que não vai retirar direitos dos trabalhadores, não vai destruir nossas conquistas, sem lutas e sem resistência”, afirma Carlos de Souza.

Continuação da mobilização em todo o país

Diante das negativas e falta de resposta do BB para as reivindicações de proteção dos funcionários apresentadas, a Contraf-CUT orienta mais um Dia Nacional de Luta em todo o país para o próximo dia 7 de dezembro.

Nova reunião agendada

Nova reunião foi agenda entre a Comissão de Empresa da Contraf-CUT e o Banco do Brasil para o dia 8 de dezembro.

Também foi agendada reunião sobre o modelo digital dentro da reestruturação para o próximo dia 14 de dezembro.

Matéria atulizada em 02/12/16

Fonte: Contraf-CUT