Itaú lucrou R$ 22 bilhões em 2016 e cortou 2.610 postos de trabalho em doze meses

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Apesar do resultado, banco cortou 2.610 postos de trabalho em doze meses. Somente no quarto trimestre, foram extintos 866 empregos

Felipe Rousselet, Spbancarios
7/2/2017

São Paulo – O Itaú teve lucro recorrente de R$ 22,150 bi em 2016. O resultado representa queda de 7% em relação ao ano anterior, quando o banco obteve o maior lucro anual de uma instituição financeira no Brasil. A redução foi resultado do crescimento de 41,7% nas despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa, decorrente do aumento do índice de inadimplência (operações vencidas acima de 90 dias) no Brasil, que cresceu 0,3 ponto percentual em comparação com 2015.

Mesmo com o bom resultado em 2016, que possibilitou o aumento da distribuição de juros e dividendos sobre o capital próprio aos acionistas, o Itaú cortou 2.610 postos de trabalho em 12 meses. Somente no quarto trimestre, foram extintos 866 empregos.

“Esse número de cortes é completamente injustificável. Apesar da redução em relação a 2015, ano em que o Itaú teve o melhor resultado de uma instituição financeira no país, o lucro do banco segue nas alturas. Enquanto aumenta os repasses aos acionistas, o Itaú segue demitindo e sobrecarregando os bancários que permanecem na instituição”, critica a secretária-geral do Sindicato e funcionária do Itaú, Ivone Silva.

A dirigente alerta ainda para o fato de que somente com o que fatura com tarifas cobradas dos clientes (R$ 33,228 bilhões), receita que teve aumento de 7,8% em 2016, o Itaú cobre em 155,1% toda despesa com pessoal.

“O gasto com pessoal aumentou 14,5% principalmente por conta de processos trabalhistas e desligamento de funcionários, despesa que cresceu 77% em relação a 2015. Isso deixa óbvia a piora nas condições de trabalho e a política agressiva de cortes do banco. Ainda assim, só com as altas tarifas cobradas dos clientes, o Itaú cobre com folga os gastos com pessoal. Ou seja, enquanto vê sua receita com tarifas crescer ano após ano, o banco segue demitindo e precarizando o atendimento”, critica Ivone.

Agências digitais – O balanço de 2016 também deixa clara a estratégia do Itaú em priorizar o atendimento digital. Enquanto fechou 168 agências convencionais em 12 meses, o banco abriu 41 unidades digitais no mesmo período.

“Com o fechamento de agências convencionais, o Itaú força o cliente a aderir ao modelo digital. Quem deve fazer a opção pelo canal de atendimento é o cliente, e não o banco. Além disso, dirigentes sindicais encontram muita resistência ao acesso nas unidades digitais, que são alvos frequentes de denúncias relacionadas a péssimas condições de trabalho. O Sindicato cobra transparência nesses locais de trabalho e mais respeito com clientes e funcionários”, enfatiza a diretora do Sindicato.

Outros números – Em 2016, o total de ativos do Itaú ficou em R$ 1,425 trilhão, redução de 3,3% em comparação com 2015. Já o resultado com seguros, previdência e capitalização das atividades foco – que consiste na oferta de produtos massificados para clientes – atingiu R$ 18,656 bi, crescimento de 38,9% em relação ao ano anterior.

A carteira total de crédito alcançou R$ 598,431 bi em 2016, redução de 11% em doze meses. Tanto a carteira PJ como a PF registraram queda em relação a 2015. Na carteira PF a redução foi de 2,2% e na PJ 15,7%, influenciado principalmente pelo segmento de grandes empresas, que registrou queda de 17,3%.

PLR – Com a divulgação do balanço de 2016, já é possível calcular os valores finais da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho, as instituições financeiras têm até 2 de março para fazer esse crédito. Entretanto, o Sindicato já solicitou aos bancos a antecipação do crédito. Já anunciaram a antecipação Bradesco (10), Safra (24) e Santander (20).

Durante a reunião para a assinatura do acordo de PCR, os representantes dos trabalhadores reforçaram a solicitação do Sindicato para que o Itaú antecipe o pagamento da segunda parcela da PLR.

Seeb SP